As chuvas mais intensas registradas nos últimos meses trouxeram um alívio temporário ao bolso dos consumidores cearenses. O aumento na disponibilidade de pastagem permitiu que os produtores reduzissem em cerca de R$ 0,25 o preço do litro do leite, impactando – pelo menos teoricamente – os valores encontrados no varejo. No entanto, a calmaria deve ser breve. Com o fim da quadra chuvosa, especialistas preveem uma alta de até 25% no preço pago pelos produtores, com reflexos diretos para o consumidor final.
Segundo José Antunes, presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios e Produtos Derivados no Estado do Ceará (Sindlaticínios), o preço médio do leite, atualmente comercializado por R$ 2,25 o litro, deve subir para aproximadamente R$ 2,80 após o período de estiagem. “A tendência daqui para frente é dar uma subida, porque o inverno vai acabando e os produtores vão começar a dar ração para o gado, entrando em um processo de reversão de queda”, explica Antunes.
O custo da alimentação animal, composta principalmente por milho e soja – commodities sensíveis às flutuações cambiais – também pode pressionar ainda mais os preços. Essa situação reforça a preocupação sobre o impacto econômico no setor leiteiro, especialmente para pequenos e médios produtores.
Mesmo com as oscilações de preço, o setor leiteiro no Ceará apresenta avanços significativos. De acordo com Antunes, a produtividade aumentou consideravelmente nos últimos anos, impulsionada pela melhoria genética do gado. “Antigamente, uma vaca produzia entre seis e oito litros de leite por dia. Hoje, muitos produtores têm animais gerando entre 15 e 20 litros diariamente”, destaca.
Atualmente, o estado produz cerca de 2 milhões de litros de leite por dia, sendo que 1,2 milhão de litros são beneficiados mensalmente por empresas certificadas. O restante é comercializado no mercado paralelo. Para 2025, a expectativa é que a produção cresça entre 15% e 20% em relação a 2024, consolidando o Ceará como o nono maior produtor de leite do Brasil, conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2023. Naquele ano, o estado produziu mais de 1,13 bilhão de litros, ficando atrás apenas de Pernambuco (7º) e Bahia (8º) na região Nordeste.