
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, de transferir o empresário Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, pode representar um passo importante nas negociações para um acordo de colaboração premiada.
A medida foi determinada nesta quinta-feira (19), atendendo a um pedido da defesa do banqueiro, dono do Banco Master. A transferência ocorreu sob sigilo, e a Polícia Federal confirmou que Vorcaro foi levado de helicóptero até a sede do órgão na capital federal.
Preso preventivamente desde o último dia 4, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, o empresário é investigado por supostamente manter uma estrutura clandestina de monitoramento e intimidação de desafetos. Inicialmente detido no interior de São Paulo, ele havia sido transferido para a Penitenciária Federal de Brasília no dia 6.
A ordem de prisão foi validada pela Segunda Turma do STF, com votos favoráveis dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, acompanhando o relator do caso. Já o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito por motivo de foro íntimo. O julgamento segue em plenário virtual até esta sexta-feira (20), restando apenas o voto de Gilmar Mendes.
Nos bastidores, a defesa de Vorcaro avalia a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Segundo informações divulgadas, o banqueiro estaria disposto a colaborar amplamente com as investigações. A negociação também pode envolver João Carlos Mansur, ligado à Reag Investimentos.
O advogado José Luís Oliveira Lima já teria se reunido com investigadores e com o próprio relator do caso, indicando avanço nas tratativas. Nesse contexto, a transferência de Vorcaro para a sede da Polícia Federal é vista como um indicativo concreto de que o acordo de colaboração pode estar em fase inicial de formalização.


