Ciro Gomes: “Levanta Ceará, vamos mudar”

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O cenário socioeconômico e a escalada da violência no Ceará foram temas discutidos pelo pré-candidato ao governo, Ciro Gomes, durante agenda nos municípios de Russas, Tabuleiro e Limoeiro do Norte, neste final de semana. Ciro apresentou um diagnóstico sobre a realidade do estado, cobrando uma reformulação completa na estratégia de segurança pública e alertando para os riscos que ameaçam a infraestrutura hídrica e o desenvolvimento econômico cearense. Ao discursar para lideranças, ele destacou o movimento da oposição: “Levanta Ceará, vamos mudar”. Durante a programação, a prefeita do município de Redenção, Selma Benevides, anunciou apoio a Ciro Gomes.

 

O ponto mais contundente do discurso foi o avanço do crime organizado sobre a economia local. Ciro detalhou como as facções criminosas deixaram de ser apenas uma ameaça à integridade física para se tornarem um entrave ao empreendedorismo, sufocando desde pequenos negócios informais até serviços essenciais.
“As facções criminosas levam o terror, exigem propina, distorcem os negócios como internet e distribuição de água. Os negócios informais estão sendo invadidos, constrangidos, levados ao prejuízo ou a fechar”, denunciou.

Para reverter esse quadro, ele defendeu uma ruptura com os modelos atuais de combate ao crime, focando em modernização e no resgate do controle estatal:
Inovação tecnológica e inteligência com a reestruturação profunda dos aparatos de investigação.

Também defendeu a restauração da autoridade, com ação firme do Estado para sufocar o poder paralelo.

Por último, ressaltou a inversão da lógica do medo: “Precisamos fazer com que o medo saia do coração do povo e se instale na cabeça do chefe do crime. Essa é a grande visão que nós temos que reconquistar no Estado do Ceará”, disse.

Além da segurança, Ciro apresentou um alerta crítico sobre o futuro do abastecimento de água e o impacto direto no setor produtivo, como a carcinicultura (criação de camarão) e o agronegócio de inovação.

Ele relembrou o planejamento estratégico do passado — como a construção do Açude Castanhão e a transposição do Rio São Francisco —, mas advertiu que a gestão atual precisa de máxima atenção. Hoje, o Castanhão opera com apenas 34% de sua capacidade, e as bombas para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza e do Complexo do Pecém já estão ligadas.
“Se por infelicidade tivermos um ou dois anos de seca no futuro, o abastecimento de Fortaleza e do Pecém vão prevalecer sobre a oferta de água para outras finalidades aqui na região. Eu já vi esse filme quando construí, em 90 dias, o Canal do Trabalhador”, relembrou.
Ele concluiu reforçando que, sem o manejo correto e estratégico dos recursos hídricos, o Ceará corre o risco de travar seu potencial agrícola e industrial, sacrificando a produção em nome do consumo urbano emergencial.